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Escritas Dois poemas

António Salvado, poeta e escritor
Eduardo Aroso, professor de música, compositor e poeta
Miguel Elías, pintor e professor da Universidad de Salamanca

Quando um dia se voltar ao tema da autenticidade da obra de arte – neste caso da poesia —, relembrando a lição que o contemporâneo e amigo de Fernando Pessoa, Adolfo Casais Monteiro nos dá na sua obra «A Palavra Essencial», tomar-se-á também a palavra de António Salvado como fruto exemplar.

Escritas A Páscoa da minha infância

Eduardo Maia Costa

A Páscoa no Fundão da minha infância era uma semana memorável. Começava no Domingo de Ramos, com uma missa linda. Eu levava um ramo de loureiro, enfeitado com camélias do jardim da minha Avó, que o João, o jardineiro, arranjava primorosamente.

Escritas O Faísca

Ana Nobre *

Foi numa noite em que o céu se vestiu de um negro mais escuro ainda. O negrume era tão forte, tão baço que sufocava. Quase que nem deixava respirar.

Escritas Quatro poemas

Albano Martins

Tomando recentemente conhecimento do lançamento de Notas de Circunstância, Albano Martins achou por bem felicitar os iniciadores da revista e presenteá-la com quatro poemas da sua autoria…

Escritas O dia em que os tipos da troika fugiram

Fernando Paulouro Neves *

Muitos anos depois, os leitores que no silêncio dos arquivos, por acaso, deixam cair os olhos cansados sobre as crónicas dos acontecimentos de Junho de 2014, ainda suspendem a respiração e se interrogam como aquilo aconteceu.

Escritas Crónica de Natal

Eduardo Maia Costa

No Fundão da minha infância, nesses remotos anos 50, pelo Natal os meninos escreviam ao Menino Jesus a pedir prendas. Bem, nem todos os meninos, é certo…

Escritas Os olhos do medo

Fernando Paulouro Neves *

A primeira pancada atingiu-a de surpresa e um fiozinho de sangue escorreu-lhe do canto da boca. Gosto adocicado. À segunda, esquivou-se como pôde.


Escritas O sega-vidas

Fernando Paulouro Neves *

Há, na praia, uns metros de areia que ninguém ocupa. Mesmo no pino do Verão, quando o espaço é escasso, há uma terra de ninguém, um baldio votado ao desprezo e ao silêncio, como aqueles lugares maninhos e estéreis onde, às vezes, apenas se eleva uma figueira do diabo. Não foi assim sempre.

Escritas Filho da casa

Ana Garcia Nobre *

A casa ainda existe. Mas nunca ninguém voltou a dizer que era bonita, não depois do que aconteceu. Ia pensando pela estrada até que a vi. Era uma casa branca, alva como espuma, aprumando-se altiva sobre a encosta da serra no meio de outras casas caiadas que teciam de candura a Beira.