Fernando Paulouro Neves *
Muitos anos depois, os leitores que no silêncio dos arquivos, por acaso, deixam cair os olhos cansados sobre as crónicas dos acontecimentos de Junho de 2014, ainda suspendem a respiração e se interrogam como aquilo aconteceu.
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Escritas Os olhos do medo
Fernando Paulouro Neves *
A primeira pancada atingiu-a de surpresa e um fiozinho de sangue escorreu-lhe do canto da boca. Gosto adocicado. À segunda, esquivou-se como pôde.
Escritas O sega-vidas
Fernando Paulouro Neves *
Há, na praia, uns metros de areia que ninguém ocupa. Mesmo no pino do Verão, quando o espaço é escasso, há uma terra de ninguém, um baldio votado ao desprezo e ao silêncio, como aqueles lugares maninhos e estéreis onde, às vezes, apenas se eleva uma figueira do diabo. Não foi assim sempre.
Há, na praia, uns metros de areia que ninguém ocupa. Mesmo no pino do Verão, quando o espaço é escasso, há uma terra de ninguém, um baldio votado ao desprezo e ao silêncio, como aqueles lugares maninhos e estéreis onde, às vezes, apenas se eleva uma figueira do diabo. Não foi assim sempre.
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